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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

VIAGEM NO TEMPO.

Imaginem da possibilidade de se viajar ao futuro e através disto anteceder uma tragedia e evita-la, e também da possibilidade de retornar ao passado e conseguir modificar uma historia, ja pensou quantas pessoas seriam salvas das diversas guerras que ja ocorreram no passado! Também das diversas tragedias naturais, vulcões, tsunamis, tornados, maremotos, terremotos, que ocorreram e que produziram diversas vitimas fatais e que com essa possibilidade real, teriam um outro resultado.Daquele amor do passado, que por um motivo ou outro, não houve uma concretização, e que agora com essa possibilidade de-se voltar no tempo tudo poderia ser diferente.
No filme O Tunel do Tempo , dois cientistas viajam pelos infinitos caminhos da historia através de uma passagem cósmica, levando-os e trazendo-os no tempo.
Seria realmente ótimo ter essa possibilidade, mas pensando bem seria justo que nós tivéssemos o poder de mudar-mos uma historia que ja se fez solida, e que de uma forma ou de outra em grande parte ajudou á perpetuar uma cultura e moldar uma civilização em todos os seus diversos costumes e regras. Evitar-se as guerras é impossível! Pois  em grande parte, essas são necessárias  para que se consiga á paz almejada, 
Paz e guerra andam lado a lado, são como o amor e o ódio  que também andam lado a lado.
(pois em um efeito de ação, existe um outro contrario de reação)
é um fato muito contraditório , mas que infelizmente é real, só um pequeno exemplo, á segunda guerra mundial praticamente se extinguiu, depois das bombas de Hiroshima e Nagasaki. O mundo poderia estar em guerra até hoje se não fossem aquelas bombas? Ninguem poderia afirmar isso com 100% de exatidão, mas com certeza, á destruição daquelas cidades japonesas, foi um choque em todos os sentidos, que definiu os rumos da historia literalmente.
No filme Tunel do Tempo de 1966, isso era possível quando dois cientistas viajavam através de um tunel, abrindo uma porta cósmica dimensional, e chegavam aos mais longínquos lugares da historia.
Essa é uma possibilidade que encanta e mexe com nossa imaginação, pois pensando bem o tempo passa tão rápido que as vezes não temos á oportunidade de realizar-mos ás decisões corretas, e muita coisa imprevisível  pode acontecer por essas mesmas, mas tudo isso é relativamente e divinamente controlado, toda essa celeuma fica apenas nas hipóteses, pois todos os fatos são colocados e estruturados de uma forma condicionada,  ficar com á consciência pesada por ter tomado uma decisão errônea no passado e por causa dela ter causado sofrimento á diversas pessoas, pode ter uma relação muito intima com o campo da  psicologia. Mas que por um outro lado, possui uma resposta definitiva de uma ação devidamente realizada naturalmente, o ser humano possui essa capacidade universal de livre arbítrio diferente dos outros animais que agem instintivamente, quando você toma uma certa decisão, toda ela ja foi devidamente avaliada e dimensionada pelos bulbos cerebrais, se á decisão e certa ou errada, voce futuramente ira descobrir isso sentindo na própria pele os resultados dela.
Acabar com ás armas traria paz para o mundo? É evidente que não, para isso acontecer teria que se acabar com á maldade humana.
E como nós seres humanos possuímos  o "poder da decisão", sendo ela boa ou ruim, (mas como dito acima, tudo foi prontamente avaliado anteriormente pelas nossas mentes), nós não teríamos o direito de voltar-mos atras no tempo para modificar-mos á historia, isso ficaria apenas na esfera da ficção cientifica de Irwin Allen, o criador da serie televisiva O tunel do tempo, alias para quem não conhece Irwin Allen, ele foi o maior gênio criador dos anos sessenta, todas ás series televisivas daquela época foram criações dele,  Terra de Gigantes, Viagem Ao Fundo Do Mar, Perdidos no Espaço, etc.
Irwin Allen (nasceu em 12 de Junho de 1916 e faleceu em 02 de Novembro de 1991), ele acreditava fielmente em uma passagem cósmica entre os tempos.
Pois diversas decisões errôneas, foram tomadas pela teimosia, arrogância e prepotência humana, como foi o massacre da sétima cavalaria do General Custer, que mesmo sabendo da grande quantidade de índios á sua espera (cinco mil índios), foi em frente na batalha e o pior de tudo ele ainda subdividiu á sua tropa, para parecer que possuía mais soldados do que tinha, e o final, todo mundo sabe o que aconteceu, foi um massacre sem igual na historia, exclusivamente por culpa dele que subestimou o potencial inimigo, e se achou indestrutível, fato ocorrido em 25 de Junho de 1876, conhecido como á Batalha do Little Bighorn.
O general Custer, considerado um gênio estrategista, mas que cometeu um erro fatal, que dizimou um pelotão inteiro.
Outro exemplo clássico foi o naufrágio do Titanic na noite de 14 de Abril de 1912, para quem assistiu aquela fantástica produção cinematográfica do diretor James Cameron, que foi fiel a todos os  mínimos detalhes daquela historia, pode perceber á distinta divisão de classes daquela embarcação, foi bem nítido o extremo preconceito social das classes tidas como superiores (primeira classe) contra ás classes pobres (segunda e terceira classe).Aqueles barões do dinheiro se sentiam superiores perante ás demais pessoas a bordo, eles se sentiam acima de todos pelas suas riquezas, inclusive acima até do próprio Deus, pois os donos do navio, escreveram com solda no casco, á blasfemica frase "Nem Deus o Afundaras", Além disso criaram um nome também blasfemico Titanic, que seria um ser gigantesco, filho de Gaia, e que segundo á mitologia grega, declararam guerra a Deus, pois se achavam superiores a ele.
Uma verdade que fica,  não foi Deus que afundou o Titanic,  mas foi o próprio homem com seu extremo preciosismo, arrogância, autoritarismo e soberba.
O gigante blasfemico Titanic, repousa no fundo do mar, tudo por um extremo excesso de superioridade.
Enfim, para resumir essa tragedia, á maioria dos passageiros do Titanic eram impios, arrogantes, metidos, pareciam que tinham o rei dentro da barriga, humilhavam constantemente ás classes menos abastadas, e se sentiam poderosissimos e imortais, e com certeza só começaram á perder suas pôses, quando começaram ver á água gelada molhando os seus nobres calcanhares. Enquanto que por um outro lado também á tripulação em nome do seu comandante Edward J. Smith, que foi contaminado em parte por esse mal, recebeu diversos avisos de icebergs, e ao invés de reduzir á velocidade e viajar com cautela, fez exatamente o contrario, dobrou á velocidade e desprezou os avisos, agora uma coisa que eu tenho na cabeça é que quem sabe o comandante contaminado, e agora prepotente ao máximo, não tenha em sua infinita confiança,  achando realmente que o navio fosse inafundável e indestrutível, tivesse tentado atravessar os icebergs e quebra-los com o mesmo, ao invés de-se desviar deles, quem sabe...
Ás passagens estão em toda parte, agora o caminho certo tera que ser descoberto e percorrido.
E apesar das tragedias ocorridas, isso em parte demostrou ao homem, que ele é apenas um mero figurante de uma historia, e tem todas ás possibilidades de mudar ás coisas antes que elas verdadeiramente aconteçam, e o destino esta ali presente, e as vezes algumas coisas acontecem para que esses sejam em partes alterados, mas algo cega ás nossas visões , não deixando com que vejamos outras possibilidades, e ás decisões tomadas, serão para sempre, mas nada é por acaso, e para que uma decisão seja á correta é necessário primeiramente humildade. Arrogância, prepotência, autoritarismo,  soberba, apenas levarão á decisões erradas e fatídicas.

"DESEJO DE MATAR"

Ladrão que rouba sorrindo, 
vai para o inferno chorando.
Voce um cidadão normal que trabalha e paga seus impostos, o que faria, quando alguns vagabundos seguissem sua família até sua casa, e chegando lá, esses demônios barbarizassem-na,  estuprando e matando sua esposa e filha, é isso mesmo que acontece com o cidadão aparentemente comum, mas que ao ser tocado em sua parte mais sensível acaba virando um verdadeiro bicho humano, atras de uma vingança sem igual, atras daqueles criminosos que destruiram toda á sua família, ele no começo fez o procedimento padrão, foi até um distrito policial, registrou um boletim de ocorrência, mas percebeu uma frieza das autoridades referente ao seu caso, havia um desinteresse dos policiais em investigar o crime e prender os criminosos. 
Marginais invadem á casa e barbarizam sua família.
As duas mulheres ficaram indefesas nas mãos dos fascinoras.
Toda essa historia é o enredo que circunda o filme do diretor Michael Winner, que relata uma historia de ficção cientifica, mas que se encaixa perfeitamente em uma situação aparentemente corriqueira das grandes cidades, que  fazem com que pessoas normais percam totalmente á razão, por estarem oprimidas entre á cruz e á espada.    
 No sepultamento da esposa, o tempo frio pela neve caindo, contrasta com á frieza das autoridades em tratar essa tragedia urbana, e punir os criminosos.
Ele teve á sua casa invadida, sua esposa assassinada, sua filha estuprada, e depois também assassinada, por marginais inescrupulosos e impunes, e encontrou um grande desinteresse das autoridades, atire á primeira pedra aquele que não se revoltaria com toda essa  situação dramática!
E por terem o resultado disso lhes trazido um grande prejuízo e um transtorno familiar sem limites, e até recompor essa situação social danosa, Paul Kersey, até então um pacato cidadão, arquiteto respeitado de uma grande construtora, se vê sozinho, oprimido pela criminalidade, e ao tentar ajuda pelo estado de direito, se vê abandonado, por um sistema obsoleto, ineficiente, corrupto. omisso,  e incapaz de realizar o minimo desejável, que é prestar e dar segurança aos cidadãos contribuintes.
Toda essa tragedia familiar poderia ter sido evitada se ele apenas desse uma olhada pela janela, e observasse á realidade das ruas.
Um crime atras do outro e á população não tem para quem recorrer, algo urgente precisaria ser feito.
E alem de ter agora que tentar viver normalmente como se nada tivesse acontecido, encarar de frente uma tragedia particular em todos os sentidos, ele percebe algo que nunca havia percebido antes, que á criminalidade esta próxima, e bem aparente, ele só percebeu isso quando sua integridade familiar foi atingida, mas ao olhar pela janela ele ve varias cenas de crimes, e nota que os criminosos estão fazendo suas vitimas a todo momento. 
Á policia estava indignada, pois alguem estava fazendo aquilo que juridicamente eles não podiam fazer, e o pior de tudo, á população estava gostando.
E em qualquer horário, e ao perceber isso ele descobre o quanto ele mesmo foi omisso com á segurança de sua família, como ele queria agora cobrar atitudes das autoridades, se ele mesmo não cuidou da própria segurança de sua família, não poderia esperar que as autoridades o fizessem agora!
E  ao ter os olhos tristemente abertos, percebeu como ele expôs sua família ao perigo diariamente, e tendo que conviver com á terrível dor da perda, também agora tera que conviver com á dor de poder ver os criminosos deitando e rolando inclusive poderiam ser aqueles mesmos que o atingiram, todos agindo impunimentes.
Para encontrar com os criminosos, não era necessário andar muito, pois eles estavam e estão em todos os lugares, e atacam em todos os horários.
As vezes nossa omissão no primeiro momento pode nos dar uma certa confiança de uma aparente segurança, mas isso no futuro se tornara em uma arapuca, que poderá colocar-nos dentro dela, pois achar-mos que somos intocáveis, com seguranças particulares, com carros blindados, etc, e que á violência é exclusividade apenas dos vizinhos, e dos mais pobres,é um grande engano, á violência esta bem mais próxima do que voce imagina, relembro o caso da atriz e cantora Silvia Massari.
Tentar consertar um erro cometendo outro 
erro bem pior, não justifica nada!
Que ao ser vitimada por dois meliantes um dia desses fato citado nesse Blog em "REALIDADE DAS RUAS", disse sobre o que ela poderia fazer por esse menor de tão pouca idade (15 anos), e que estava no mundo do crime roubando, e o seu espanto em ve-lo assim,  quase uma criança assaltando as pessoas, essa sua resposta demostra claramente á sua total omissão e desconhecimento sobre á realidade, (e que ninguém ache que apenas conselhos o farão mudar de vida e sair do crime, isso na teoria segundo alguns entendidos, é possível, mas na pratica á coisa é bem diferente, esses elementos ja nasceram numa atmosfera criminosa, onde pai, mãe, irmãos. á maioria da sua família estão contaminados, e simplesmente passar á mão na cabecinha deles, como criancinhas que erram, não vai adiantar de nada, só vai incita-los mais e mais, pois eles não tendo nenhum tipo de  repreensão pelos seus erros, farão com que eles se sintam a vontade, e como de má índoles natural que são,  repetirão seus atos contra á sociedade) ela em suas viagens ao exterior, aos seus compromissos profissionais em uma atmosfera elitizada.
O marginal sabendo da sua infinita  impunidade,
 ainda liga e ameaça.
Wildey chegou, agora as coisas começarão á mudar.
O temido bandido risadinha, sorri a vontade, 
ao ver mais uma vitima.
Risadinha não resiste á tentação e ataca mais 
uma vitima fácil,  porem...
Por mais rápido que fosse o bandido risadinha, ele nunca poderia ser mais rapido do que Wilder.
Maxima concentração do atirador, em relação 
ao alvo dedo no gatilho, e pronto.
O poderoso Magnum Wildey 475, é equivalente a um rifle de assalto M16 curto, de alto poder destrutivo.
Parece que o dito popular que diz que quem ri por ultimo ri melhor, para o risadinha não teve nenhum efeito.
O marginal nem imagina o que foi que o acertou.
Ou nessa redoma de vidro como podemos dizer, e vivendo praticamente em um outro mundo, mas que ao ter que sair e entrar no mundo real da maioria da população, pode ter á infelicidade de conhece-lo pessoalmente, ela nunca deve ter olhado pela janela para ver as ruas das cidades por onde passou, ficou espantada com á idade do criminoso, isso é á coisa mais normal do mundo aqui no Brasil, onde os criminosos começam com menos idade ainda, com oito, nove dez anos e afim, roubam, estupram, matam, barbarizam, e tudo bem.
É fogo pesado em cima da bandidagem.
Ele em sua insana busca pela justiça, 
acabou se igualando aos criminosos.
Lembre-se disso sempre, sua omissão diante de certos fatos achando que o mal só ataca o próximo pode ter reações terríveis e com danos permanentes, sua omissão pode lhe custar muito caro, logicamente ninguém esta incitando alguem á arrumar uma arma de fogo e sair por ai matando as pessoas, fazendo justiça com ás próprias mãos, muito pelo contrario, as vezes á policia fica sem ter ação contra certos criminosos por não haverem queixas registradas contra esses mesmos, á população por medo, por desconfiança, ou por um motivo qualquer, são atingidas direta ou indiretamente e não realizam o boletim de ocorrência do fato, e sem esse mecanismo juridico, e sem provas testemunhais, ou flagrantes delitos, ninguém pode ser detido, pois ás autoridades nada possuem tecnicamente que possa liga-lo a um crime.

Charles Dennis Buchinsky (Charles Bronson), nasceu em Ehrenfeld, na Pensilvania, no dia 03 de Novembro de 1921, Bronson tinha o perfil do personagem durão, aquele capaz de mandar uma mensagem de aviso apenas com o olhar de aço, e ele enquadrou isso muito bem em seus trabalhos, que ficaram mundialmente conhecidos e consagrados, como no filme Sindicato de Ladrões, onde ele interpretava um presidente sindical incorruptível, mas por isso sofreu varios atentados como sindicalista.
Bronson foi na década de 60 a 80, um dos atores mais bem pagos de Hollywood.
E também do Filme Lutador de rua em 1972, que ele fez juntamente com James Coburn (nascido em 03 de Novembro de 1921 e morte em 30 de Agosto de 2003), do filme fugindo do inferno de 1963, mas sua consagração cinematográfica sem duvida foi com os filmes da serie de cinco,  Desejo de Matar (Dead Wish) do diretor Michael Winner, teve muita aceitação pelo publico e ate hoje esse filme é muito bem cotado, onde Bronson teve uma ótima atuação, nas cinco sequencias deste, á grande aceitação desse filme até hoje, da-se pelo fato de sua historia apesar de ser fictícia, é uma historia muito próxima da realidade atual, o ator Charles Bronson faleceu no dia 30 de Agosto de 2003, em Los Angeles, sofrendo do mal de Alzheimer então com 81 anos de idade.
Fonte Wikipedia.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

SITIO CALDEIRÃO.

É no mínimo estranho que autores de livros didáticos de História do Brasil, mesmo os cearenses, não ser refiram - nem sequer em nota de "pé-de-página" - ao destino trágico que teve a comunidade camponesa religiosa do Sítio Caldeirão, liderada pelo beatoJosé Lourenço Gomes da Silva e destruída por forças policiais em 1937, no Crato, Ceará!...
Mesmo os historiadores que escrevem para a comunidade acadêmica e para especialistas, minimizam o conflito: na maioria dos casos - aqueles que escrevem sobre o Juazeiro do Norte e o Padre Cícero Romão Batista - , tratam o fenômeno apenas nos seus aspectos folclóricos, centrando os seus relatos na estória do boi "Mansinho" e dos seus pretensos "milagres". Essas fantasiosas estórias sobre o referido touro, fruto de boatos que circularam na época, já foram negadas por Floro 
Padre Cicero, protetor do beato 
Jose Lourenço.
Bartholomeu da Costa, pouco tempo depois de sua divulgação. No seu discurso na Câmara dos Deputados Federais, em 1923, afirmou que "essa história do ‘Touro Zebu’, não é semelhante a do ‘Boi Ápis’, nem esse pobre animal (...) corria risco de se implantar como ‘symbolo de redenção’, (...) pois, quando se procurava apenas a verdade sobre os boatos de que o boi fazia ‘milagres’ - ninguém sabia informar, a começar pelos proprietários do sítio onde Zé Lourenço residia." (Costa, 1923:711-712).
Ao centro o beato Jose Lourenço, um
 homem muito acima do seu tempo.
Estranhamente, até os historiadores "brasilianistas" que escreveram sobre o assunto omitiram ou deformaram os fatos. Ralph Della Cava, por exemplo, apesar de demonstrar simpatia pelo beato José Lourenço, no seu livro Milagre em Joaseiro, limita-se a comentar que, "infelizmente a história de José Lourenço tem sido contada e recontada de forma anedótica e sectária"(Cava, 1976:220). E, apesar disso, segue o mesmo caminho trilhado por seus criticados antecessores: narra apenas os fatos folclóricos e "anedóticos" ligados ao boi "mansinho"...
Um outro eminente historiador norte-americano que se referiu ao beato José Lourenço, teve o mérito de associar os acontecimentos à repressão do Estado Novo. Trata-se de Robert Levine, que, no seu livro O Regime de Vargas - os anos críticos - 1934-1938, assim se referiu aos fatos: "Tropas federais invadiram o povoado cearense de Caldeirão e destruíram uma seita comunitária semi-religiosa sob a alegação, provavelmente falsa, de que dava agasalho a refugiados dos levantes de Natal e do Recife.
Ditadura Vargas, não tolerava 
insubordinações coletivas!
E lembra, em nota no final do capítulo, que o Jornal "New York Times", de 16 de setembro de 1936, p. 14, noticiou os fatos com as seguintes palavras: "As razias continuaram por todo o ano de 1937." (Levine, 1980:219 e 241).
O autor não faz, no entanto, nenhuma referência ao bombardeio na Serra do Araripe...
Recentemente, o mesmo autor publicou no Brasil o seu monumental livro "O Sertão Prometido: o massacre de Canudos", onde volta a referir-se aos acontecimentos referentes ao Caldeirão. Estranhamente, no entanto, Levine inicia o relato cometendo um equívoco imperdoável, ao afirmar que o Sítio Caldeirão era "uma fazenda abandonada no município baiano de Casa Nova, onde o beato José Lourenço, um antigo ajudante do Padre Cícero, capitaneava a construção de uma nova Juazeiro." 

(Aqui o autor esqueceu que o Sítio Caldeirão localiza-se no Crato-CE, e que em Casa Nova, na Bahia, ocorreu o movimento camponês religioso de Pau-de-Colher, confundindo ambos...). Desta vez, entretanto, o autor refere-se ao bombardeio, porém demonstrando total desconhecimento da história e da operação militar desencadeada contra a comunidade em 1936 e 1937. Segundo o seu relato, o bombardeio teria sido feito sobre as casas da comunidade do Caldeirão: "uma força de 150 homens da polícia do Ceará iniciou o ataque com auxílio de duas aeronaves, que destruíram à bala e a bombas os telhados das casas. (...) A comunidade agrícola foi completamente queimada." (Levine, 1995:317).

O fato real: o bombardeio não foi feito sobre as casas da comunidade do Caldeirão, que na época já estava destruído, mas sobre um grupo de cerca de mil seguidores do beato José Lourenço que estavam refugiados na Serra do Araripe, onde, indefesos, foram massacrados por uma esquadrilha composta de três aviões, que metralharam e bombardearam-nos impiedosamente...
Foi exatamente para tentar corrigir tão disparatadas e errôneas interpretações sobre o fenômeno da comunidade camponesa do Caldeirão, que consideramos de significativa importância, para uma melhor compreensão do papel histórico das massas de camponeses miseráveis do sertão nordestino, que resolvemos sintetizar a trágica história de Santa Cruz do Deserto.

José Lourenço chegou ao Juazeiro do Norte na época dos "milagres" (1889), quando a aldeia fervilhava de romeiros que afluíam de todas as regiões sertanejas para a terra do Padre Cícero Romão Batista. Duas coisas importantes os atraíam: as terras férteis do Vale do Cariri e a certeza de alcançarem a salvação na cidade do "santo milagreiro". O próprio Pe. Cícero constatou o fato, ao afirmar que "Juazeiro tem sido um refúgio dos náufragos da vida" (Cava, 1976:212). É que para lá iam multidões de miseráveis, refugiados das regiões castigadas pelas secas...
O beato José Lourenço logo integrou-se na aldeia e tornou-se penitente. Morou alguns anos no Juazeiro e depois foi com a família viver no sítio Baixa D’Anta. Lá começaram a desenvolver uma experiência de trabalho coletivo com base no mutirão, o que levou a um esboço de organização de uma comunidade camponesa de cunho cooperativista.
Era uma comunidade cooperativista
 sem fins lucrativos
Mas, o que mais marcou a sua vida no sítio e o tornou conhecido na região, foi o episódio do boi "Mansinho". Tratava-se de um garrote que o Pe. Cícero ganhara de presente e dera ao beato para criar. Como era um animal pertencente ao Pe. Cícero, toda a comunidade dedicava um tratamento especial ao boi. Em pouco tempo surgiram boatos de que o boi "Mansinho" estava fazendo milagres...
Por essa época (cerca de 1920), além das perseguições religiosas contra o Pe. Cícero, a imprensa fazia uma feroz campanha contra Floro Bartholomeu. Este passou a ser acusado pelo Deputado Federal Morais e Barros como o "Deputado de bandidos e fanáticos". Sob pressão, Floro Bartholomeu foi obrigado a agir: mandou prender o beato José Lourenço e matar o boi "santo".

Solto e humilhado, com fama de "fanático", José Lourenço voltou para o sítio Baixa D’Anta, onde viveu mais alguns anos, quando o proprietário da terra vendeu a propriedade e expulsou-o de lá. O beato passou algum tempo em Juazeiro, onde, pelas suas práticas religiosas, adquiriu fama de "homem santo" e passou a ser tratado como "beato". Em 1926 retirou-se com algumas famílias para o Sítio Caldeirão dos Jesuítas, terra pertencente ao Pe. Cícero. O padre entregou as terras ao beato quando o seu Testamento já estava pronto, no qual doara todas as suas propriedades aos Salesianos, inclusive o Sítio Caldeirão.
Encerrava-se a história do boi "Mansinho" e começava a do beato José Lourenço, que em breve tornar-se-á o beato mais célebre da região do Cariri e liderança indiscutível de uma comunidade camponesa, contando com alguns milhares de trabalhadores pobres.
Imagem do sitio caldeirão.
Na comunidade, a experiência vivida expressou-se em uma experimentação concreta da fé, a materialização de uma nova forma de vida: o trabalho tornou-se um meio para a salvação da alma. A principal testemunha dos acontecimentos do Caldeirão, o Sr. Henrique Ferreira, recentemente falecido, assim descreve o trabalho como penitência da comunidade do Caldeirão. "É os penitentes, é os pobres penitentes, que todo pobre é penitente. O trabalhador é um pobre penitente! Tá na penitência do trabalho!" [1]. Nestas condições, a pobreza da vida tornou-se suportável e até prazeirosa. Foi a partir desta perspectiva religiosa - o trabalho como penitência - , que a comunidade camponesa do Caldeirão se organizou.
O sítio era uma pequena propriedade abandonada, com cerca de 900 hectares no sopé da Serra do Araripe, distante vinte quilômetros do Crato. Encravado entre serras e morros, de acesso extremamente difícil, era lugar ideal para o isolamento. Lá instalados, o beato e seus seguidores deram início aos trabalhos de limpeza dos matos, e construções e reparos de cercas. Construíram a casa do beato e as "primeiras e pequenas casas de taipa e, como a terra era seca, iniciaram também a construção de açudes para armazenar agua.
Construíram pequenas barragens, e garantiam 
seu abastecimento de agua, para o plantio e
para uso domestico.
Construíram ainda a casa de farinha e produziam sabão, a partir de uma planta nativa da região, conhecida por "pingui". Em pouco tempo, o que era uma terra deserta e abandonada transformou-se um pequeno arraial.
Nessa fase inicial, a comunidade trabalhava basicamente na agricultura e na construção de casas em mutirão para os novos moradores. Cada nova família que lá chegava era bem recebida, e os que já viviam no sítio construíam logo a nova moradia; alastravam-se as casinhas a partir do sopé dos morros, formando, gradativamente, um cinturão em redor da pequena planície onde floresciam as primeiras plantações.
A divisão do trabalho era simples: os homens trabalhavam na limpeza dos terrenos, na construção de casas, de caminhos, cercas e na agricultura; enquanto as mulheres, além dos trabalhos caseiros, carregavam água para aguação das plantas, ajudadas pelas crianças maiores. O problema da água será resolvido definitivamente através da construção de dois açudes.
Imagem do beato Jose Lourenço, e á sua 
comunidade de agricultores.
O beato estava sempre à frente de todos os trabalhos e tudo era feito sob a sua orientação. Trabalhava-se das seis da manhã às seis da noite, sob o ritmo dos benditos, puxados pelo beato... A incrível capacidade de trabalho e liderança do beato é atestado por todos, inclusive por aqueles que não nutriam simpatia por ele, como é o caso do tenente Góis de Barros - que comandou a invasão e destruição do sítio em 1936 - , que afirmou espantado em seu "Relatório": "Aliás, faça-se justiça, o espetáculo de organização e rendimento do trabalho, com que nos deparamos ali, era verdadeiramente edificante." (Barros, 1937:31)
Toda a produção e consumo era controlada por Isaías, espécie de "ministro do planejamento e da economia" da comunidade. Os produtos eram armazenados em grandes celeiros e redistribuídos de acordo com as necessidades de cada família. Não circulava dinheiro na comunidade e a organização social era rígida, dentro de padrões de uma religiosidade quase ascética.
Outras pessoas ajudavam o beato José Lourenço na administração da vida da comunidade, destacando-se o papel exercido por Severino Tavares, que apesar de não viver no sítio, exercia o papel de "aliciador" de romeiros para as visitas à comunidade. Seu trabalho como divulgador da vida no Caldeirão muito contribuiu para o aumento da população do sítio, pois muitas pessoas que iam apenas conhecer o beato lá permaneciam...
Plantação de arroz e abaixo plantação de 
feijão.
Com o crescimento populacional do sítio diversificaram-se as atividades produtivas. No meio de tantos trabalhadores que chegavam ao Caldeirão, encontravam-se profissionais das mais diversas especialidades. Organizaram-se então as primeiras oficinas, passando-se a fabricar os mais diversos instrumentos de trabalho e utensílios domésticos. Em pouco tempo a comunidade produzia praticamente tudo o que necessitava para a sua sobrevivência. Apenas o sal e o querosene, assim como remédios, eram comprados pelo beato, com o dinheiro que arrecadava com a venda das rapaduras e algodão.
Paralelamente desenvolveu-se a criação de animais, bovinos, caprinos e suínos, além das mais diversas espécies de galináceos.

Através deste quadro sintético da organização econômica e social da comunidade do Sítio Caldeirão, fácil é perceber que ela formava um vivo contraste em relação à situação dos trabalhadores dos latifúndios do Sertão. Ali reinava a fartura, fruto do trabalho intenso de milhares de pessoas em mutirão - a população sítio alcançou, na fase mais populosa, cerca de duas mil pessoas - , o que duplicava a produtividade do trabalho, fazendo com que os celeiros estivessem sempre cheios. Foi essa fantástica organização do trabalho visando a plena satisfação das necessidades fundamentais da comunidade - que se tornou praticamente auto-suficiente - , que caracterizou a experiência realizada no Sítio Caldeirão pelo beato José Lourenço, e que o transformou em uma ilha de fartura em meio à miséria reinante no Sertão da época. Era uma comunidade pobre, evidentemente, mas bem alimentada material e espiritualmente. A religiosidade popular, que perpassava todos os atos cotidianos da comunidade, tornava suportável a penitência do trabalho e fácil a vida...
Grande seca nordestina, 
em meados de 1932.
As reservas de víveres permitiu que a comunidade sobrevivesse à grande seca de 1932, apesar de o número de habitantes do sítio ter sido acrescido de cerca de 500 pessoas no período. É que o beato abriu as portas do sítio para receber todos os flagelados da seca que lá quisessem entrar e permanecer!
Após a morte do Pe. Cícero, em 1934 - época em que os habitantes do Caldeirão passaram a se vestir todos de preto, em luto perpétuo pelo "santo" do Juazeiro - , grande parte dos romeiros que iam a Juazeiro visitar o túmulo do Patriarca, faziam questão de ir ao Caldeirão, pedir a bênção ao beato José Lourenço. Isto se devia ao fato de José Lourenço representar o único sobrevivente dos "santos" do Juazeiro.
Os romeiros, ao visitarem a comunidade, contribuíam com o desenvolvimento econômico do sítio, pois levavam valiosos presentes, que iram desde cargas de alimentos, animais e até objetos preciosos.
Entretanto, a morte de Pe. Cícero - amigo e protetor do beato - , anunciava também as tempestades que se avizinhavam. O crescimento constante da popularidade do beato, aliada à prosperidade crescente do sítio, despertaram a atenção das elites políticas e religiosas do Crato. Os jornais iniciaram uma campanha contra o beato e sua comunidade: o artigo intitulado "Os fanáticos do Caldeirão", publicado no Jornal "O Povo" afirmava, entre outras coisas: "Dois malandros do Ceará, José Lourenço e 
Severino Tavares, andam explorando no Vale do Cariri a memória do Padre Cícero" [2]. Para a hierarquia católica, o Caldeirão parecia representar uma ameaça: o beato poderia tornar-se um novo "santo" como o Pe. Cícero... E, neste caso, com o agravante de estar fora do controle da Igreja: seria um novo Antonio Conselheiro!... Assim, alarmados, os proprietários vizinhos e as elites políticas e religiosas atacavam sistematicamente o beato e a sua comunidade: "Setores conservadores ligados à política regional, insuflados pelos proprietários de terras e do clero, encarregam-se de espalhar boatos sobre o beato José Lourenço e os habitantes do Caldeirão. Diziam que o beato oficiava sacramentos reservados ao clero de forma bárbara e sacrílega, que vivia em concubinato com as beatas, possuindo harém de 16 mulheres, que explorava a ignorância e o fanatismo dos camponeses, usando a força de trabalho para enriquecer" [3].
Era, enfim, a orquestração de uma formidável avalanche de inverdades - como a de que o beato, então com 65 anos, tivesse capacidade sexual de manter um harém com 16 concubinas! - , com o objetivo de destruir a experiência comunitária do Caldeirão que, além de atrair trabalhadores de todas as partes, "as relações de produção e consumo tendiam abertamente para o comunismo", na expressão do Tenente Góis de Barros...
Os padres salesianos, herdeiros das terras do Pe. Cícero, decidiram tomar o sítio sem indenizar o beato pelos benefícios lá realizados. Para isto, contrataram o advogado Norões Milfont, deputado da Liga Eleitoral Católica - LEC (de cunho fascista), que passou a defender a causa dos mesmos. O advogado começou a divulgar que o Caldeirão era uma nova Canudos, que o beato José Lourenço possuía armas escondidas e que a comunidade representava uma séria ameaça ao Estado, por ser de franca tendência comunista...
A hierarquia católica confirma: "Nos sermões, os padres falam do perigo do ajuntamento de fanáticos e da infiltração de agentes vermelhos a serviço do totalitarismo ateu. Os beatos chegam aos ouvidos das autoridades estaduais." (Cariri, 1982:195)
Á PRÓPRIA IGREJA CATÓLICA INCENTIVOU O MASSACRE DO CALDEIRÃO!
Era, enfim, a união da Igreja, do Estado e das elites políticas e latifundiária contra a comunidade camponesa igualitária do sítio Caldeirão...
O advogado dos salesianos, Norões Milfont, não se limitou a espalhar boatos denegrindo a comunidade: para provar suas denúncias e incriminar ainda mais o beato e seus seguidores, enviou um espião ao Caldeirão. A escolha feita, por si só, revela as intenções subjacentes ao ato: decidiu-se enviar "um dos maiores bandido-autoridade de que se teve notícias no Ceará", na expressão de Optato Gueiros (Gueiros, 1952:252). Era o capitão José Gonçalves Bezerra, conhecido na região como um implacável caçador de cangaceiros, sendo, na verdade, um deles, só que escondido por trás da farda policial.

Escolhido o espião, as autoridades iniciaram as investigações. O Tenente José Góis de Campos Barros encarregou-se de comandar a destruição, que descreveu depois no seu "Relatório". Nele afirma que o número de habitantes do Caldeirão havia tomado tamanho vulto que as autoridades locais alertaram o Capitão Cordeiro Neto, Chefe de 
Polícia, de "certos fatos singulares, que ali estavam passando". Para esclarecer os "fatos", foi ao sítio o Capitão José Bezerra, disfarçado em industrial interessado nas possibilidades econômicas da região, em relação à indústria de oiticica.
Admitido na residência do beato, o Capitão Bezerra tudo observou, especialmente as riquezas acumuladas no sítio, fruto do trabalho sistemático da comunidade, o que logo lhe despertou o interesse... No seu relatório, refere-se à existência de "uma nova Canudos, coito de fanáticos e do terrível perigo comunista" (Barros, 1937:30), e conclui solicitando urgente intervenção.

Depois das investigações realizadas pelo Capitão José Bezerra, o interventor e Governador do Estado, Menezes Pimentel, reuniu o advogado dos salesianos Norões Milfont, o Bispo do Crato, D. Francisco de Assis Pires, Andrade Furtado, Martins Rodrigues, o Capitão Cordeiro Neto, Chefe de Polícia, e o Delegado do DEOPS, o Tenente José Góis de Campos Barros. Com exceção dos dois militares, todos os outros pertenciam à LEC. Decidiu-se pela intervenção.
O Tenente José Góis de Campos Barros comandou a expedição, no mês de setembro de 1936. O beato José Lourenço conseguiu fugir, escondendo-se na Serra do Araripe, acompanhado de algumas famílias. Em meio a todo tipo de violências, inclusive estupros, os militares atearam fogo em todas as casas, expulsaram os moradores, destruíram e saquearam o sítio...
O Tenente José Góis, em seu relato, diz que após juntar todos os habitantes, explicou a eles para que viera: acabar com a comunidade, porque "o Estado não podia permitir aquele ajuntamento perigoso". As ordens eram que cada família juntasse seus pertences e voltassem para os seus locais de origem. Ofereceu passagens de trem e de navio, que foram unanimemente rejeitadas: "E, fato singular, ninguém tinha bens a conduzir. Tudo o que ali estava, diziam, era de todos, mas não tinha dono." (Id.:25)
O beato José Lourenço continuou por algum tempo refugiado na Serra do Araripe. Severino Tavares e seu filho Eleutério foram presos em Fortaleza. A imprensa da época calculou que, após a destruição do sítio, pelo menos mil pessoas foram juntar-se ao beato José Lourenço na Serra.

Entrementes, Severino Tavares e seu filho foram soltos da prisão e dirigiram-se para a Serra do Araripe. Enquanto o beato José Lourenço ganhava tempo para iniciar negociações visando voltar para o sítio, Severino Tavares planejava vingança... (Afirma-se que uma das moças estupradas pelo Capitão Bezerra era sua filha...).
Patrulha em marcha destino ao caldeirão.
Os jornais começam a publicar notícias alarmantes, informando que os beatos ameaçavam invadir fazendas e a feira do Crato. Segue uma patrulha comandada pelo Capitão José Bezerra para debelar os "fanáticos". Severino Tavares montou uma emboscada com alguns seguidores e, em luta corpo a corpo com a patrulha, morreram o Capitão, um filho seu e o próprio Severino Tavares, além de outros soldados e camponeses.
Potentes metralhadoras foram utilizadas 
contra trabalhadores indefesos.
Seguiu-se o bombardeio na Serra, quando três aviões, comandados pelo Capitão José Macedo, autorizado pelo Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, conduzindo bombas, metralhadoras e grande quantidade de munições, metralharam e bombardearam os agrupamentos de camponeses oriundos do Caldeirão... Por terra, atacavam as forças policiais. O Capitão Cordeiro Neto avaliou a chacina em cerca de duzentos mortos, enquanto outras fontes orais afirmam que o número de mortes teria atingido uma cifra bem maior: entre 700 a 1.000 pessoas...
Aviões bombardearam o caldeirão sem 
nenhuma piedade
Bombas assassinas destruíram todos os 
sonhos de uma comunidade idealista!
Um verdadeiro massacre custeado pela 
ganância do homen, hipocrisia da igreja e
truculência do estado ditador!
O beato José Lourenço escapou do bombardeio na Serra. Após muitas negociações, conseguiu voltar ao sítio Caldeirão, em 1938. Lá passou mais um ano, trabalhando e reconstruindo o sítio, junto com umas poucas famílias de camponeses (o acordo não permitia mais "ajuntamentos"). No final do ano, quando já reorganizara a produção no sítio, foi novamente expulso pelos salesianos. Na ocasião, o Sr. Júlio Macedo conseguiu junto ao Juiz de Direito do Crato a devolução do dinheiro que fora entregue ao Juizado por ocasião do leilão do que restava dos bens do sítio, após a destruição e saque do mesmo. De posse de pequena quantia, o beato ainda conseguiu adquirir uma pequena propriedade no município de Exu, em Pernambuco. Lá, no sítio que denominou de União, o beato, acompanhado de umas poucas famílias, viveu em paz durante oito anos. Morreu no dia 12 de fevereiro de 1946, vitimado pela peste bubônica...

Seu corpo foi transportado através da Chapada do Araripe, pelos seus fiéis seguidores, até o Juazeiro... O que o beato não sabia era a recepção que o seu corpo teria na Igreja: levado para uma capela onde seria realizada a missa de corpo presente, o padre, na última condenação da Igreja ao beato, negou-se a cumprir o ritual..
Brigadeiro Macedo, quem ordenou o bombardeio aéreo, 
onde morreram cerca de 1000 pessoas entre mulheres, 
velhos, crianças e nenhum bandido de verdade!
O beato Jose Lourenço foi massacrado
 pelo sua própria  igreja ao qual ele defendia 
fervorosamente,  com unhas e dentes, mas
 que lhe deu como premio á mais alta dose
 de ingratidão e covardia !
É fácil, no entanto, desvendar os motivos subjacentes a tais "esquecimentos" dos fatos pelos historiadores e cronistas: o massacre do Caldeirão, para além de ter sido mais uma perseguição de beatos e cangaceiros nos sertões nordestinos, oriundos de uma tradição de violências que remontam aos séculos XVIII e XIX, com o apoio dos coronéis latifundiários e da Igreja Católica que, eivada dos rigorosos preceitos tridentinos - condenava e perseguia duramente quaisquer "seitas" religiosas heterodoxas - , foi tão cruel quanto desnecessário. Pois, além de destruírem - assim como o fizeram com Canudos - uma comunidade de camponeses pacíficos pelo fogo e pelas armas, utilizaram, pela primeira vez na história do Brasil, bombardeios aéreo contra populações civis indefesas!...