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terça-feira, 1 de novembro de 2016

A TRAVESSIA.

Quando o francês Philippe Petit abriu o jornal na sala do dentista, aos 17 anos, e viu que os dois maiores prédios do mundo, com 417 metros de altura e 110 andares cada um, seriam construídos em Nova York, ele pensou o óbvio: vou atravessá-los sobre uma corda de aço suspensa. Às 6 horas do dia 7 de agosto de 1974, em uma operação com todos os truques de clandestinidade, Petit caminhou mais de 40 metros sobre um cabo, repetindo o trajeto por oito vezes, durante 45 minutos. Quem passava pelas ruas em torno do World Trade Center naquela manhã nebulosa assistiu a uma silhueta caminhando entre as nuvens no topo dos arranha-céus. Além de andar em linha reta, Petit deitou sobre o cabo e saudou a plateia, criando uma imagem que sintetiza o extremo da coragem humana, "o crime artístico do século", como escreveu a revista Time após a performance. 
A travessia totalmente clandestina
 tinha que ser preparada nos 
mínimos detalhes de segurança.
O equilibrista se preparando para 
a  maior performance de sua vida.
Quarenta e dois anos depois, A Travessia (The Walk), em cartaz nos cinemas, traz o show de Petit (e ele próprio) de volta aos holofotes.  O diretor Robert  Zemeckis (responsável também por Forrest Gump e De volta para o futuro.) oferece ao espectador, através de uma ótica 3D, a experiência vertiginosa de caminhar entre as extintas Torres Gêmeas. Esta é a evidente aposta do filme. Joseph Gordon-Levitt interpreta Petit com lentes de contato azuis e seu inglês afrancesado e entusiasmado ao narrar como é genial ser o equilibrista mais subversivo do mundo  porque cada gesto mágico de Petit (ele era mágico mesmo) é acompanhado por uma afronta às autoridades. O próprio Petit reconhece, em seu livro Creativity: The Perfect Crime (2014)que sua arte está atrelada ao que é ilegal:  "O criador precisa ser fora da lei". Não um fora da lei criminoso, mas um poeta que cultiva a rebelião intelectual. 
Segundo Petit, a maior dificuldade foi ter
 conseguido colocar os cabos durante a
 madrugada as escondidas, e que 
"a travessia foi facil demais".
Um feito fabuloso de um homem,
 que ficara para toda  historia.
A diferença entre um banqueiro e um equilibrista das alturas é suprema: a travessia aérea não rouba nada, ela oferece um efêmero presente, "que delicia e inspira". Apesar de ser baseado na relação de Petit com o World Trade Center, há um longo caminho para que A Travessia chegue ao "topo do mundo" como O Equilibrista (Man On Wire, 2008) chegou. O documentário de James Marsh, também inspirado no francês, figura entre os melhores da história do cinema, com mais de 40 prêmios, um Oscar e o melhor filme britânico de 2009 pela British Academy of Film and Television Arts (BAFTA).A Travessia, de 2015, conta a história de Petit aliada a alguns elementos ficcionais e a efeitos especiais de ponta, além de reerguer as Torres Gêmeas. O documentário remonta a cena da caminhada no céu de Nova York apenas com fotografias, já que o trajeto não foi filmado.
A travessia foi planejada nos
 mínimos detalhes, e não 
poderia haver nenhum erro.
Apenas um ponto visto entre
 as duas torres, demostrava toda
 a coragem de um obstinado.
 Mesmo diante de toda a tecnologia de A TravessiaO Equilibrista, com sua realidade explícita e depoimentos de todos os envolvidos décadas depois do evento, mostra muito mais do que a megalomania particular de Petit. A produção exibe a sutileza das relações humanas que se formaram em torno de uma obsessão, exibindo uma história sublime e eletrizante o bastante sem intervenções de terceira dimensão. No documentário, os vínculos afetivos também são um ponto alto do roteiro. Como a ruptura no relacionamento entre Petit e seu amigo de infância Jean-Louis Blondeau, que chora em frente à câmera ao relembrar a expressão de alívio do francês ao dar os primeiros passos sobre a corda. Ou de Annie Allix, que foi deixada de lado pela rápida fama do namorado (e ele ficou tão famoso que o presidente Nixon, dos EUA, que renunciou dois dias depois do episódio, afirmou que gostaria de ter tido a mesma fama que do "Frenchman"). No filme, os personagens aparecem mais caricatos e menos entrosados do que no documentário.
Alem de atravessar, ele também 
sentou, ajoelhou e deitou no cabo.
A alguns passos do final e vendo
 que seria preso, ele em uma manobra
 fora de serie, se virou e voltou para
 tras, deixando os policiais loucos de raiva.
Depois de chegar à torre norte, Petit foi levado à delegacia, onde seu boletim policial recebeu o nome de O Equilibrista (por isso o título do documentário). Uma das gravações mais engraçadas da época é a do sargento Charles Daniels, que em entrevista à TV após o episódio, aparece mais impressionado com a performance do que afrontado pela desobediência de PetitO oficial Meyers e eu observamos o dançarino porque você não pode chamá-lo apenas de wirewalker  no meio das duas torres e, mesmo ele nos vendo, começou a rir, gargalhar. Quando ele chegou ao prédio, nós o mandamos deixar o cabo, mas em vez disso, ele se virou e caminhou de novo até o meio. Quando nos demos conta do fato de que ele não estava interessado em vir porque parecia estar adorando aquilo, avisamos seu assessor (um amigo, no caso)de que se ele não viesse pegaríamos um helicóptero para tirá-lo de lá. 
Uma multidão se formou para ver 
a façanha do equilibrista maluco!
Depois de ter ajoelhado, sentado,
 deitado, e  retornado por oito 
vezes de um lado ao outro, ele então
 resolveu acabar com espetáculo 
e se entregar a policia.
Em meio as nuvens ele começou sua
 travessia, ficando invisível, mas aos
 poucos elas se dispersaram e então 
a façanha pode ser percebida por todos.
Poucos equilibristas no mundo
 teriam tanta coragem em desafiar
 as alturas como fez Philippe Petit.
O ator Joseph Gordon Levit que interpretou
 no filme o papel de Petit, e o grande astro
 da realidade o equilibrista Philippe
 Petit em carne e osso.
Pessoalmente me dei conta que estava assistindo a algo que ninguém mais veria de novo no mundo. Pensei: é uma vez na vida.  "Pedi por água porque estava muito desidratado e ele (médico) disse: quando foi a última vez que você bebeu? Eu respondi: Você é louco? Você sabe o que eu fiz? Dancei no topo do mundo. Estou na primeira página de todos os jornais, tem 300 jornalistas esperando por mim e você pergunta a última vez que eu bebi? Você está completamente louco." No mesmo dia, o francês foi liberado das acusações com a condição de fazer performances de equilíbrio para crianças ao ar livre. Também deu autógrafos a policiais e ganhou passe-livre ao topo dos arranha-céus, até 11 de setembro de 2001. Sobre o medo de dar errado, Petit refletiu: "Se eu morrer, que bonita morte. Morrer exercendo minha paixão".
Fonte BBC.
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